zoom nas vísceras

O olhar sobe como um estranho balão para o infinito

João da Rocha

Apenas um homem inadequado

Thom Yorke e a permanência das canções

Desde quando lançou, em 1997, Ok Computer, o Radiohead entrou definitivamente na história do rock, porém, algo também iniciava junto com este disco, a exigência por ‘revoluções’.


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Veio Kid A (2000), Amnesiac (2001) e muitos fãs foram se rendendo ao mesmo tempo que muitos abandonaram a banda de Thom Yorke. Antes do último grande burburinho, em 2007, com o clássico In Rainbows, Thom lançou um ano antes seu primeiro disco solo. The Eraser chegou, surpreendeu alguns e decepcionou outros, mas para o primeiro grupo, havia a certeza que Thom Yorke é sem dúvida um dos grandes artistas do seu tempo e um dos mais criativos musicos também.

Oito ano depois, Thom volta a lançar um disco solo, mais uma vez ao lado do mítico Nigel Godrich e mais uma vez dois grupos se polarizam: Os que amam cada nota e cada sussurro de Yorke e os que simplesmente esperam por uma nova revolução. Qual grupo você faz parte?

Se você faz parte do segundo grupo, ‘Tomorrow’s Modern Boxes’ pode decepcionar você certamente. Não, você não quer canções lembra? quer um disco revolucionário, clássico imadiato, ou talvez um novo Ok Computer. Ou não.

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Nesse sentido, o novo trabalho do frontman atua num campo que faz parte de sua paixão: A eletrônica. Não farofas house, eletro hits, as 7 melhores Jovem Pan. A intenção de Thom é mergulhar no universo sonoro de Burial, Four Tet, Flyin Lotus, SBTRKT entre outros e todos esses fazem parte da vanguarda da música eletrônica, com discos que tornam o Techno e outros BPMs revoluções ocultas, tags escondidas em selos alternativos e sons escuros, que parecem fazer parte de um grande filme de Terry Gilliam do que para pistas regadas a Ectasy. É neste universo que habita hoje, Yorke. Quer você queira ou não.

Se você faz parte do primeiro grupo, um recado. Há novamente grandes canções escondidas entre loops e sintetizadores em Tomorrow’s Modern Boxes. O primeiro grupo nao espera uma grande revolução a cada novo disco, antes disto, espera grande canções. Mas estas precisam ser bem digeridas, é preciso mergulhar neste oceano sintético, procurar as saídas, abrir as portas ocultas, entre pianos soterrados por sofwares e baterias eletrônicas entrecortando o vocal abstrato de Thom. As melodias estão lá desde Kid A, mas não são fáceis de serem acessadas. As senhas parecem criptografadas nas nuvens mas só parecem, com paciência vamos nos familiarizando com este planeta metálico esculpindo pelos ecos de Thom & Nigel.

Após o mergulho, a constatação: Thom Yorke nunca deixou de escrever canções. Nem mesmo quando simplesmente parece esquecer (só parece) das melodias, mesmo quando não traz refrões ou longas introduções ou simplesmente guitarras. Feche os olhos e sinta Tomorrow’s Modern Boxes e não esqueça de responder para Thom sua pergunta:

‘Do you think your mind blows up?'


João da Rocha

Apenas um homem inadequado.
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