zoom nas vísceras

O olhar sobe como um estranho balão para o infinito

João da Rocha

Apenas um homem inadequado

O Popol Vuh e a Ausência da Gravidade

O kruatrock é uma sonda disposta a romper os limites de nossa consciência, aqui sob a batuta do Popol Vuh e seu In den Gärten Pharaos.


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Conhecer o universo supersônico do Popol Vuh é sentir a experiência de viajar aos limites da galáxia, guiados por doses de xamanismos, bebidas cinestésicas, rituais cosmogônicos e herméticos mergulhos no interior das inquietações da psique humana, onde a deusa – a música - é reverenciada e a gravidade é só um nome anos luz da realidade.

Formada por Florian Fricke no piano e órgão, Frank Fielder nos sintetizadores e Holger Trulzsch nas percussões. O Popol Vuh assinava em In den Gärten Pharaos, seu segundo álbum, uma das maiores obras de arte do krautrock, o rock psicodélico alemão que revolucionou a música nos finais da década de 60.

Órgão de igreja misturados aos míticos sintetizadores moog, tocado por Florian Fricke; e percussões que esculpem o ambiente como um artista plástico jogando tinta na gravidade, assim conhecemos "Vuh" onde o som é uma paisagem mântrica com cores celestiais e místicas dissonâncias em sua catarse pactual. Exótico aos nossos ouvidos contemporâneos.

Antes disso, In den Gärten Pharaos (faixa título) é uma dose de homeopáticas reverberações épicas que alimenta nosso interior com luzes e cânticos ocultos. Ao passarmos pela porta celestial dos Vuh, a terra passa a ser apenas um risco acidental nos litorais do espaço, o som ao redor é um líquido que provamos até a dormencia de nossos sentidos, uma sensação tênue de paz e inalcançabilidade. Nesse momento já estamos em meio aos pântanos e rios esquecidos em nossas memórias mais enterradas.

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Para navegamos em faixas como "Kha - White Structures 1" e seus pouco mais de dez minutos de eternidade, é preciso haver uma harmonização completa. Um desdobramento harmônico de metafisica em rara sensibilidade – não comum nos tempos atuais - para podermos adentrar no delicado e singular percurso da sua singularidade exótica.

"Kha - White Structures 2" na verdade poderia ser uma radio transmissor abandonado por entidade secretas vindas de galáxias inalcançáveis, a fim de nos fazer decifrar os mais decodificados mistérios da física.

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Para alguns In den Gärten Pharaos inaugura o chamado “New Age”, mas acima disso, mostra que o krautrock foi muito além dos extremos sonoros possíveis, sua sonda atravessou as dimensões mais profundas e nos entregou (sempre que o obrigatoriamente o revisitamos) verdadeiras entidades sagradas da música no século XX.

In den Gärten Pharaos é arte em estado inigualável


João da Rocha

Apenas um homem inadequado.
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