zoom nas vísceras

O olhar sobe como um estranho balão para o infinito

João da Rocha

Apenas um homem inadequado

O FIM DA DOCE VIDA PARA ANITA EKBERG

Quando o grande ator, Marcelo Mastroianni, faleceu, em meados de 1996, fãs do mundo todo foram para a Fontana di Trevi. Ali foi escrito, um dos momentos mais marcantes da história do cinema. A inesquecível cena do banho da estrela Sylvia, vivida com maestria por Anita Ekberg.


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Federico Fellini foi um dos maiores cineastas de sua geração e para mim, um dos maiores de todos os tempos. Sua obra está imortalizada na história do cinema universal, assim como, faz parte da cultura do italiano. Quando lançou, ‘“La dolce vita” em 1960, já havia, em sua filmografia, pelo menos duas obras primas, entretanto, o filme lançado com o mestre Marcelo Mastroianni, foi a primeira a marcar toda uma geração. Outras obras do mesmo calibre viriam, mas A Doce Vida foi eternizada, também, pela beleza arquitetônica - como sugeriu certa vez o comediante Bob Hope - da sueca Anita Ekberg.

Os passos da carreira de Anita foram dados ainda em seu país procedente. Quando ganhou o prêmio de miss Suécia de 1950, teve a oportunidade de trabalhar como manequim nos Estados Unidos, despertando a atenção do produtor e magnata Howard Hughes. Ekberg teve pequena participação, em filmes secundários de Hollywood, até, ser convidada para uma pequena aparição em novo filme de Fellini, rodado em Roma.

A atriz fez alguns outros bons filmes, como o franco-italiano Boccacio 70 (1962) dirigido pelos geniais, Mario Monicelli, Federico Fellini , Luchino Visconti e Vittorio De Sica. Depois desse suspiro pelo efêmero da fama, do dinheiro, Anita entrou em um processo de decadência artística, culminando na minissérie para TV italiana, Il Bello delle Donne em 2002.

Mesmo em meteórica participação em A Doce Vida, a sueca, de exuberante beleza natural, deixou sua marca no imaginário popular e ajudou a contar a história de um mundo, até então, em franco rompimento com a moral cristã, no limiar do esfacelamento da idiossincrasia social.

Seu falecimento, nesse início de 2015, nos faz relembrar desses imortais ícones que o cinema produziu, ao mesmo tempo em que nos arremessa em lucubrações sobre o quão cruel - pode ser - a passagem do tempo em sua razão simples: passaremos todos.

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Adeus, Kerstin Anita Marianne Ekberg (1931-2015)


João da Rocha

Apenas um homem inadequado.
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